Dunga e Maradona: origens semelhantes como treinadores, mas caminhos opostos

Fonte: GloboEsporte.com
Maradona tira algumas dúvidas com Dunga

Dunga e Maradona se encontraram mais uma vez no maior clássico de seleções do planeta. Mas pela primeira vez como técnicos de suas seleções. Apesar de haver equilíbrio nas estatísticas quando ainda eram jogadores, com uma vitória de cada lado e um empate, não há como comparar a habilidade dos dois. Maradona foi um dos maiores jogadores de todos os tempos no futebol.

Mas como técnicos, parece que ocorre o inverso. Dunga está a anos à frente de Maradona. E o jogo em Rosário comprovou isso. Enquanto o ídolo argentino roia as unhas, como um claro sinal de incapacidade para mudar os rumos da partida, o Capitão do Tetra seguia calmo e via a sua seleção ganhar sem maiores dificuldades.

Os dois treinadores têm a mesma origem duvidosa nessa carreira. O técnico da seleção brasileira nunca havia passado pelo cargo antes de ser anunciado pela CBF, ao mesmo tempo em que Maradona apenas teve passagens curtas como treinador do Mandiyu (1994) e depois no Racing (1995), mas nada que lhe dê maiores credenciais para essa função.

Quando Dunga foi chamado para a vaga de treinador, após o fiasco da Copa do Mundo de 2006, muitos estranharam e colocaram em dúvida a sua permanência em longo prazo. Principalmente quando Felipão ainda fazia sombra ao técnico brasileiro.

Já Maradona foi o contrário. Uma vez anunciado para assumir o comando técnico da Argentina, junto com Carlos Bilardo, parecia que a seleção seguiria um rumo semelhante à de 1986. Mas o que vemos da Argentina é desorganização dentro e fora de campo. A saída de Riquelme já deu os primeiros sinais desse problema. E dentro de campo, Maradona coleciona resultados vexatórios, como o histórico 6x1 contra a Bolívia.

A atual seleção da Argentina é uma caricatura se comparada com seu passado glorioso, com uma defesa frágil e um ataque desorganizado. Mascherano era sobrecarregado na marcação e se via obrigado a fazer faltas em Kaká. Verón e Maxi Rodriguez não ajudavam como deveriam nessa função, ao mesmo tempo que Dátolo e Messi apenas se preocupavam em atacar e nada mais.

Enquanto a seleção de Maradona segue rumo a um futuro incerto, o Brasil de Dunga é marcado pela consistência tática, com sistema defensivo sólido (como há anos não se via) e ataque eficaz.Mesmo assim, talvez o técnico brasileiro nunca seja uma unanimidade, por ainda não ter uma carreira em longo prazo como treinador, por fazer algumas convocações estranhas (como a de Afonso) e ou por prestar insuportáveis entrevistas coletivas, caracterizadas pela eterna mágoa com a imprensa.

Mas os fatos comprovam o seu bom trabalho. Na Era Dunga, o Brasil fez 47 jogos, sendo que obteve 33 vitórias, 10 empates e 4 derrotas, além de títulos da Copa América e Copa das Confederações, vaga antecipada para Copa do Mundo de 2010 e vitórias convincentes contra Argentina, Uruguai, Itália e Portugal. Inclusive, Dunga já coleciona três vitórias sobre nossos hermanos e apenas um empate.

O Brasil segue tranquilo e seguro de si. Por essa razão é a melhor seleção do mundo neste momento. Ao contrário da Argentina, que ainda tem confrontos complicados contra Paraguai e Uruguai fora de casa. Apesar da camisa pesar nessas horas, desde 1970 a seleção argentina esteve tão ameaçada de ficar fora de uma Copa do Mundo. Por tudo isso, a vitória do Brasil em solo argentino não foi nada surpreendente. Apenas seguiu a ordem natural dos fatos.

0 comentários:

Postar um comentário